24.6.11

Digestivo Cultural

por Jéssely Diamente

                Sem etiqueta, sem preço.
                A nota é internacional e diz, mais ou menos assim: “Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.”
                Eis que o sujeito desce na estação de metrô de Nova York, vestindo jeans, camiseta e boné. Encosta-se próximo á entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na ora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou foi praticamente ignorado pelos passantes.
                Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando pecas musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.


Alguns dias antes, Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custavam à bagatela de mil dólares.


A experiência no metrô, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.
A iniciativa do jornal de Washington Post, era de lançar um debate sobre o valor, contexto e arte. A conclusão é de que estamos acostumados a dar valor ás coisas, quando estão num contexto. Bell, no metrô, era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.
Esse é mais um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas, que são únicas, singulares e que não damos importância, porque não vêm com etiqueta de preço.
Será que nossos sentimentos e apreciação de beleza são manipulados pelo mercado e pela mídia? As pessoas pensam que para apreciar uma música clássica ou assistir á um ballet é preciso estar em um teatro, elas levam em conta apenas o contexto, e ignoram o fato de que aquele músico ou aquele bailarino é o mesmo que pode estar apresentando a mesma peca na praça da sua cidade. As pessoas encontram-se tão perdidas e tão terrivelmente alienadas que já nem conseguem mais distinguir valor, arte e cultura.
Faça uma auto-análise: É você parecido com todas essas pessoas que bloqueiam conceitos tão simples, ou você consegue apreciar uma boa arte?!

Segue-se abaixo o link do metrô de Nova York.


Fica a Dica!

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