29.7.11

Digestivo Cultural

Por Jéssely Diamente

Quem já não proferiu a famosa frase: ”Onde Judas perdeu as botas”?
          Tal frase é um dos mais conhecidos ditados populares. Ditado é a expressão que através dos anos se mantém imutável, aplicando exemplos morais, filosóficos e religiosos. Os provérbios e os ditados populares constituem uma parte importante de cada cultura. Mas quem de nós já não se deparou com a seguinte pergunta: “De onde surgiu tal ditado?!” É bem verdade que muitos deles não têm qualquer tipo de coerência ou lógica, mas já se tornou um hábito da sociedade proferi-los. Que tal descobrir um pouco mais sobre os ditados de sua cultura?!

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS:
Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.

SANTINHA DO PAU OCO:
Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos século XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era "recheado" com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

OK:
A expressão inglesa “OK” (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam pras bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa “0 Killed” (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo “OK”.

PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA:
A história mais aceitável pra explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados pra Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

ANDA À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar.

DA PÁ VIRADA:
A origem do ditado é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada pra baixo, voltada pro solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo Homem vagabundo, irresponsável, parasita.
 
JURO DE PÉS JUNTOS:
- Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu!
A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, as quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

CASA DE MÃE JOANA:
Significado: Onde vale tudo, todo mundo pode entrar, mandar, etc. Surgiu na Itália. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Provença (1326-1382), liberou os bordéis em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: “que tenha uma porta por onde todos entrarão”. O lugar ficou conhecido como Paço de Mãe Joana, em Portugal. Ao vir para o
Brasil a expressão vivou “Casa da Mãe Joana”. A outra expressão envolvendo Mãe Joana, um tanto chula, tem a mesma origem, naturalmente. 

CALCANHAR DE AQUILES:
A mãe de Aquiles, Tétis, com o objetivo de tornar seu filho invulnerável, mergulhou-o num lago mágico, segurando o filho pelos calcanhares. Páris feriu Aquiles na Guerra de Tróia justamente onde, isso mesmo, no calcanhar.
Portanto, o ponto fraco ou vulnerável de um indivíduo, por metáfora, é o calcanhar de Aquiles.

PRESENTE DE GREGO:
Tal expressão é uma alusão ao cavalo de Tróia, a tão famosa história onde os gregos deram para os troianos um cavalo de madeira com alguns soldados dentro. No meio da noite os soldados abriram os portões de Tróia possibilitando a invasão dos gregos. Por isso a expressão presente de grego, um presente ruim.

COR DE BURRO QUANDO FOGE
Talvez esse seja o mais famoso ditado e também o de menos sentido. Alguém por um acaso já viu um burro fugir? E se ele fugiu, por acaso ele mudou de cor? A explicação mais aceitável para o ditado: “cor de burro quando foge” encontra-se na antiga expressão coloquial “corro de burro quando foge”. Registrada pelo gramático Antônio de Castro Lopes (1827 - 1901), o indício leva-nos a crer que o uso equivocado da expressão original acabou dando origem à “cor de burro quando foge”.

            A sociedade em si está cercada de valores e costumes que se tornaram tradições, passadas de pai para filho por várias gerações. É fato que muitas das expressões não fazem sentido para a nossa geração atual, porém está envolvido muito mais do que apenas coerência, envolve também valores culturais e morais.

Fica a Dica!




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