20.7.11

Questão de Notícia

por Dedé Vieira e Jéssely Diamente

 Essa semana o AVM conversou com o Colunista e jornalista do jornal O Globo, Anselmo Góis, falando sobre sua vida profissional e as faces do Jornalismo no Brasil e no mundo. Acompanhe:


AVM-O que te motivou a seguir a carreira de jornalista?
Anselmo Góis - Eu sou de uma geração que era apaixonada pela profissão como o jornalismo, eu tenho 62 anos, eu me lembro que havia todos aqueles conceitos de querer mudar o mundo, e essa mentalidade revolucionária foi a motivação que me moveu através desse ideal. Eu fui líder de movimentos secundários, fazíamos passeatas, houve uma ocasião que até fui preso por pouco tempo por defender certas posições. Foi ai que acabei entrando na profissão

AVM - As Colunas jornalísticas hoje em dia estão sendo mais consumida por um público diverso, a internet está contribuindo pra isso, nesse interesse de jovens a notas jornalísticas?
Anselmo Góis - O Brasil é conhecido por sua diversidade e caiu de paixão pelas colunas, e essa paixão veio pelo fato do espaço, a internet quando chegou demandou matérias com poucas linhas e quem sabe escrever com poucas linhas são os colunistas em função do dinamismo.

AVM - Suas colunas são muito lidas, é de fácil entendimento. No seu caso Anselmo qual foi o segredo para atrair leitores?
Anselmo Góis - Em comparação com o jornal as colunas são curtas o que é uma vantagem, não exatamente precisam ser com uma linguagem formal, por exemplo, hoje no Brasil, existem milhares de colunistas; o sujeito ganha um celular e ele tem a sua disposição 3,4,5 linhas, ele vai em uma determinada festa e escreve: estou em tal festa, encontrei tal pessoa fazendo tal coisa.Pronto, ele já passou uma notícia. Então o dinamismo, a forma como é escrito colabora para a aceitação

AVM - Como o Anselmo Góis sendo o leitor vê o Anselmo Góis colunista?
Anselmo Góis - Veja bem, eu tenho uma dificuldade de entender o que eu escrevo, eu sempre acho que está uma merda, e enquanto eu achar que está uma merda, vou sempre tentar melhorar, por que assim, no dia que você achar que está bom você começa a envelhecer. Eu gosto e prezo um conteúdo simples e um conceito aberto tanto é que me sinto muito honrado quando sou homenageado por movimentos negros, gays etc..

AVM - Fazer um bom jornalismo independente de qual vertente for dá trabalho, mas o jornalismo em si está honrando esse esforço em questões de democracia e informação limpa?
Anselmo Góis - Eu acho assim, como no caso que está se discutindo muito na Inglaterra, no mundo se fala muito sobre o assunto. Tem Um jornalista do ‘El pais’ que escreveu algo que achei interessante, ele disse assim: “é o bom jornalismo que está desmascarando o mau jornalismo”. Se você olhar em muitos países desenvolvidos, você encontra muitas manifestações de jornalismo levianas, destrutivas, desbocadas, e na internet isso é demais, na internet isso radicalizou de uma maneira extrema. Eu sempre penso assim, o mundo está cheio de idiota; a internet está mostrando que eu tenho razão. O que tem de idiota na internet é algo maluco. Agora ao mesmo tempo tem muitos trabalhos bons, interessantes que são construtivos, boas reportagens, enfim tem coisas boas e ruins, é que nem você observar as bancas de jornal de hoje e as de antigamente que eram pequenas, estreitinhas. Hoje as bancas são grandes, pelo fato de terem mais publicações como opções, por exemplo, vários exemplares de revistas de histórias de jornais etc.

AVM - Que tipo de assunto da menos trabalho de escrever, e o que dá mais trabalho?
Anselmo Góis - Essa questão entra no campo de “gostar”. Eu por exemplo não gosto de dirigir, então se eu dirijo 10 minutos me canso mais do que aquele que dirigiu 1h só que gosta de dirigir. Então assuntos que não são relevantes, que só enchem páginas e páginas e nunca dão em nada são chatos e acabam não sendo eficazes pra quem o escreve também
AVM - Como surgiu a idéia da Turma do blog?
Anselmo Góis - É Assim, o espaço na coluna são muitas pessoas que trabalham e escrevem, a equipe é grande, então é natural que se tivesse 10 pessoas, seria pouco por causa do assédio que vêm de fora, é muita informação que precisamos segurar naquela euforia: “ não, não, essa não pode, me arranja uma nota melhor”. E assim pelo fato da equipe ser muito boa, mas muito boa, ela está nos blogs, twitters e nesse espaço da turma da coluna.

AVM - Que sugestão você daria devido a sua larga experiência a novos jornalistas?
Anselmo Góis - Eu vou falar para todos os profissionais, eu acho que o pior defeito de qualquer profissão é a preguiça, acho que é a mãe dos todos os defeitos. Uma vez Carlos Drummond relatou sobre uma pergunta: Como é que se escreve bem? Escrever bem é escrever sempre. Como assim? Escrever sempre é você não ter preguiça de escrever e escrever qualquer coisa e entregar, “pô, não está bom, vou fazer de novo, e de novo”. Tem uma 2ª coisa que é você achar graça do que você faz. Eu no caso passo mais de 8h por no jornal, muito mais de 8h, se eu não gostasse, se eu não achasse graça de certas situações, esse tempo que passo lá seria muito mais cansativo e estressante, por que apartir do momento que você perde o interesse do que faz, a sua profissão não rende e isso significa que você não está na profissão certa. Então ache graça do que você faz





Quer ouvir o áudio dessa conversa na íntegra? Mande uma mensagem para @VIDAMOVIMENTO  #AncelmoGóisnoAVM

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se é Arte, é Categóricos!