6.8.11

Sociedade em Difusão

por Carmem Hernandes

Hoje também é dia de índio.

       Curiosamente chamamos os índios de “nossos índios” como se fossem um patrimônio. Você concorda? Na minha concepção, eles são moradores de nosso país, brasileiros assim como nós, mas com uma cultura distinta. Você que é de Pernambuco costuma dizer: “nossos gaúchos” ao se referirem aos do Rio Grande do Sul? Pois é mais ou menos isso que eu me pergunto sempre. Eles não são propriedade, são apenas eles, cidadãos. Com direito ao seu espaço, as suas terras de origem, aos seus costumes, a viverem como é de seu desejo assim como qualquer outro brasileiro.
  Foto: Aldeia Potikro, Kayapó, xicrin e xipaya, rio Bacajá, afluente do Xingu

      Mas sabemos que há muito descaso rondando os interesses indígenas. Há muita incompreensão por parte dos governantes e muita ignorância de nossa parte também. Vejamos por exemplo o histórico de construções das hidrelétricas na Amazônia, que nos mostra o quanto majoritariamente existe uma ausência de preocupações com os grupos sociais com menor força política e econômica nas sociedades locais.

      Exponho o exemplo os índios Guarani-Kaiowá,  do sul do Mato Grosso do Sul, conhecidos pela crise humanitária que passam atualmente, em função da escassez de terras. Você já procurou saber por que lhes falta terra? Provavelmente não. Apesar de ser direito deles o de viverem como quiserem, não é fácil viverem e se defenderem sozinhos, vistos algumas vezes como invasores alienígenas, quando na verdade eles que estavam aqui antes de tudo.  Tem uma frase de Henfil que diz assim: "Naquela manhã ou tarde de 1500, quando gritaram "TERRA À VISTA!", os livros de história pensaram escutar navegadores, descobridores. Mas o que os índios viram, a olho nu, foi o grito de guerra dos corretores imobiliários." Pois é! Aparentemente o país não está preocupado se o índio precisa de espaço para caçar ou rios para pescar. Quando se pensa em crescimento, desconsideramos que temos um grupo étnico diferente, com costumes diferentes e que também precisam ser respeitados. Ou seja, quando se juntam para discutir a construção de uma nova hidrelétrica, por exemplo, não consideram que existe serem humanos que serão prejudicados caso o rio seque ou a fauna fique escassa. Como em qualquer sociedade, os efeitos adversos, são geralmente para aqueles que pertencem aos grupos sociais e economicamente mais frágeis pois  são os que mais sofrem com a pior das poluições e dos desequilíbrios: a miséria e a pobreza. Será tão difícil assim de entender?

      Os índios estão sendo assassinados mesmo! Direta e indiretamente. Não é brincadeira, vocês não fazem idéia de quantos são mortos e outros tantos que estão ameaçados. Imagine que hoje, os 45 mil Guarani-Kaiowá estão instalados em aproximadamente 42 mil hectares de terra, enfrentando suicídios, desnutrição, alcoolismo, altos índices de violência e condições degradantes de trabalho. Sem poder praticar seus meios tradicionais de subsistência, os índios passaram a trabalhar em usinas,  fazendas da região e são explorados praticamente como eram antes: como escravos.

Indios, mestiços, negros, mulatos e brancos, se manifestam na Avenida Paulista,
por um Rio Xingu Vivo.

        Citei pra vocês apenas a situação de uma etnia indígena, apenas uma, mas elas são centenas, talvez mais. Procurem saber quem foram os índios de sua região, se ainda permanecem, quais seus problemas atuais, o que de sua cultura você pode aproveitar no seu dia a dia. Vale à pena! Movimente-se!

Creditos: Verena Glass


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