11.11.11

Vintage Cultural

por Jéssely Diamente

Na época da ditadura militar no Brasil, muitos compositores tiveram de enfrentar severas punições por suas músicas altamente críticas contra o governo. Considerados proscritos, foram convidados a retirar-se do país durante uma grande crise. Dois deles em especial criticaram severamente a sociedade em que viviam.


Vinicius de Moraes foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro. Uma de suas mais famosas composições foi à música “Rosa de Hiroshima” interpretada pelo grupo Secos e Molhados em 1973. A música teve uma grande repercussão em razão do atentado á Hiroshima e Nagasaki, onde milhares e milhares de pessoas morreram instantaneamente, enquanto outras ainda hoje sofrem por conta da radioatividade. A música também foi muito difundida em uma ação contra a construção da Usina Nuclear de Angra dos Reis. A composição dizia o seguinte:

“Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada”


Outro autor muito conhecido foi Geraldo Vandré, advogado, cantor e compositor brasileiro que com a música “Pra não dizer que não falei das flores”, criou um dos hinos da resistência ao regime militar que ficou conhecido pela primeira palavra: "Caminhando". Um trecho da música em especial é esse:

“Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão”

No trecho onde ele diz: “Acreditam nas flores, vencendo o canhão”, Vandré deixa uma mensagem clara dizendo que a única coisa capaz de acabar com uma guerra seria o amor, retratado na música como uma flor.
Muitos cantores foram proscritos e proibidos de continuar a viver livremente... Muitos criticaram as atitudes da sociedade, e como um clamor pediram paz. As músicas apresentadas, embora sejam bem conhecidas, precisam ser entendidas com verdadeiro olho crítico... É preciso analisar a real mensagem que nos foi passada. A ação de mudar uma sociedade depende única e exclusivamente de cada um. Como disse Vandré: “Somos todos iguais braços dados ou não.”

Fica a Dica!


3 comentários:

  1. Nem os artistas escaparam da perseguição infame dos militares, e o que mais me aborrece, depois de tanto tempo, é que esse passado nefasto não pode ser revirado para sabermos quem realmente estavam por trás disso.

    Ótimo texto, parabéns Jéssely.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Dedé Vieira15:45

    É MTA PODRIDÃO QUE EXISTIU REFERENTE AOS FATOS DA DITADURA. PORÉM MTAS COISAS COISAS AINDA ESTÃO VIVAS POR DEBAIXO DOS PANOS, COMO A LIVRE IMPRENSA. A DEMOCRACIA REALMENTE EXISTE? OU DIZER QUE SOMOS "LIVRES" É SÓ MAIS UMA FORMA DE MANIPULAR UMA SOCIEDADE E NO FIM DE TUDO NOS CHAMAR DE IMBECIS? ÓTIMO TEXTO JÉH. NOS FAZ REFLETIR SOBRE QUE RUMO ESTAMOS INDO EM PROL DA TAL LIBERDADE. APRECIAR CULTURALMENTE ESSES ARTISTA É UM ÓTIMO COMEÇO!

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