23.4.14

Conto

Luana Mel, a prostituta 
escrito por Dedé Vieira

Primeiro capítulo
Eu vivi num lugar onde as pessoas eram bem educadas, se respeitavam muito e principalmente se amavam muito. O mesmo lugar onde minha família nunca me deixou faltar nada na medida do possível. Sempre fui sonhadora, desde pequena tinha um espírito de ajudadora, mas pra realizar meu maior sonho eu ultrapassei todos os limites de uma moral civil para nossa sociedade ‘moderna’,
Rio Grande do Sul – aqui conclui meus estudos e agora sonho com a tal faculdade de Medicina. Eu tracei pra minha vida que seria uma boa e competente médica para ajudar as pessoas carentes do nordeste brasileiro e os ribeirinhas na Amazônia. Acontece amigo que eu era de uma família carente e infelizmente não consegui passar no vestibular, como vocês sabem o curso de medicina custa muito caro. Eu já trabalhava, mas meu salário não cobria o valor total da mensalidade, cada vez mais eu me via distanciando do meu sonho. Só que meu foco era mais forte do que tudo, tudo mesmo. Meu nome? Me chamo Larissa Martinez, mas a partir de agora vocês vão me conhecer como Luana Mel, a prostituta.
Os politicamente corretos e os religiosos fanáticos de cara vão torce o nariz pra minha história, mas eu vou falar uma verdade a vocês caros amigos, a real puta alienada pela sociedade “moderna” são pessoas que se acham os corretos e os tais fanáticos.
 No auge dos meus 17 anos comecei a me prostituir. Eu era ousada e sexualmente selvagem por isso cobrava caro por cada programa. Meus pais e amigos não desconfiavam de nada, estrategicamente eu conciliei um trabalho de meio período como operadora de telemarketing e os meus programas.  Tudo muito bem calculado, meus cliente eram seletos, homens com alto poder financeiro. No meu circulo de amigos ninguém até o momento nunca suspeitou que eu fosse uma prostituta.
 
Os anos foram passando, longos e tristes anos, mas o meu objetivo de vida era maior e este meu foco foi o que deu forças para superar e continuar nessa jornada. Finalmente eu conquistei a tão sonhada festa de formatura, ali estavam meus pais, parentes e todos os meus amigos, tudo muito lindo, tudo muito maravilhoso. Eu sempre fui uma espécie de pessoa fria e calculista, a minha profissão exigia isso, mas eu me esqueci de um detalhe: quando você alimenta ratos, eles sempre vão voltar no seguinte.
 
Naquela requinte  noite minha casa caiu, um dos grandes convidados da formatura era um coronel bastante influente e um dos meus melhores clientes. A festa acontecendo, eu já formada, o coronel alterado por bebidas alcoólicas fez aquilo que eu temia. Num momento que eu me distrai ele me agarrou e falou em voz alta:
-“Vem cá minha puta!”
Pronto! A confusão se formou, muitos vieram a meu auxilio pra me proteger daquele ato, mas aqui vai mais uma dica da realidade, existe dois tipos de seres-humanos que você nunca deve inibir – seus pais e pessoas influentes. Eu controlaria a situação muito bem sozinha, mas eu estava submersa num mundo de mentiras e ai quando a verdade vem à tona para o seu circulo de amigos e familiares não tem como controlar. Tudo ficou escancarado, todos souberam de uma vez que tipo de trabalho eu realmente realizava. Fui humilhada, escorraçada, excomungada, motivo de piadas absurdas, xingamentos em meio à praça pública por assim dizer.
Sem ao menos eu ter o direito de resposta, fui expulsa da casa dos meus pais. Minha vida se tornou um inferno, emprego na área era difícil, afinal ninguém queria contratar uma médica prostituta. Eu já não fazia mais programas, só que uma coisa é certa: uma vez puta, sempre tachada como puta. A sociedade amigo, não quer saber de recuperação de presos, de reabilitação de usuários de drogas e muito menos de pessoas que dão a volta por cima e saem do submundo da prostituição. A sociedade quer saber do que convém a elas – lucrar, o resto é restos, seres-humanos que vão pro inferno. Achavam que iriam me diminuir, estavam errados, eu comecei a me prostituir por opção, eu tenho um legado, uma causa muito mais nobre e pura, não me comparem com “brunas surfistinhas” que só querem se estampar na mídia. Se foram Ratos que me colocaram nessa merda, são Ratos que vão me tirar dela.
Continua no próxima capítulo
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