Poesias

Bem vindos a Seção 
Dose Poética
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Cintia Machado
Poeta
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por Cintia Machado, 23/03/17
Vastos Medos

O medo nasce das palavras não ditas.
Dos gritos que ninguém escuta.
Do silêncio que acalma,
Do barulho que perturba.

O medo sempre acompanhou:
Diplomatas e amadores.
Amantes e seus amores.

Há olhares tão intensos que intimidam.
Há olhares tão distantes que tememos.
Há medos tão próximos que os abraçamos.

Medo de fantasmas do passado.
Medo do futuro tão incerto.
Medo do presente tão ausente.

Medo da luz e medo da escuridão.
Medo do vazio e medo do excesso.
Medo do amor e medo de não amar.

[O medo só morre mesmo no nosso caixão]



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por Cintia Machado, 03/03/17
Rua de Palavras 

aos tropeços 
recolho as palavras 
deixadas no chão 

na estrada 
desorientada

guiada 
por histórias 
arrancadas 
espalhadas

fecundo silêncio 
derramado 
no alivio da calçada 

pedras perdidas 
na memória 
lascas na contramão


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por Cintia Machado, 09/02/17
No País das Maravilhas


Agora te fiz herói
na minha história
e também no meu país


E era uma vez
E logo desta vez
Adormeci,
Não acordei
Rasguei os versos que eu fiz


A militância e os batalhões
Com passeatas e canções
Eu enfrentava ratos
Contornava patos
Sem ter final feliz


E agora, sou rainha
Sou menina
Sinto medo de dormir


Perdi o meu papel
Larguei os meus sapatos
Costurei retratos
Me tranquei em mim


E você, entrou na vida sem avisar
Com alma pura de se admirar
Era o sapo que eu quis coroar
Pisava em cacos pelo meu país


Não, não fuja não
Ainda vamos deixar tanta memória
Acredite no feijão, da tal revolução


Suba
Suba o mais alto e tire o sapato
Caminhe em frente, siga até
Confie sempre neste pé


Sim, me dê a mão
Agora sentimos tanto medo
Revelei-te tantos segredos
Beijos não são a solução?
Cadê a revolução?


Amanheceu
O encanto se quebrou
E você,
Nem ao menos alertou
Que cavalos brancos
Não existem mais


Agora era fatal
Que mais um faz-de-conta
terminasse assim
Sem termos um quintal
Um conto tão banal
Na varanda a gente era feliz


Com tantos arranhões
Sem composições
Sem poemas
E afins


Não sabemos
Sumir no mundo
Sem ao menos avisar
Não sou a única a perguntar
O que a vida vai fazer de mim


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por Cintia Machado, 02/02/17
Refletir

ontem e hoje
passado previsto
futuro inexistente

tempo e imperfeição
trilham de mãos dadas
atravessam ruas
admiram a lua
pulam os próprios muros
avistam ao longe
o horizonte sonhado

estimo minhas lágrimas
mais que as gargalhadas
espalhadas

tropeço nas pedras
perdidas
abandonadas

caminho sem rumo
sem força
exausta

encosto pernas na solidão
contemplo o instante
antes do próximo passo


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por Cintia Machado, 06/01/16
Fogos e Estrelas

os estouros
que ninguém escuta
brilho que preenche
um céu sem estrelas

espaço interno
espaço infinito
espaço sem luz

silêncio compartilhado
na distância
na ausência
(tão presença)
de um instante

metas traçadas
na trilha incerta

de estrada tão certa de si



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por Cintia Machado, 29/12/16
Apenas Bom Dia

quero que seu dia
comece com poesia
que as palavras te abracem
que a paz te enlace

sou livre contigo
pra escrever
pra errar
pra chorar
pra viver sem esperar

entrego-te rimas
também as posso guardar
posso escrever sem rimar

guardo sorrisos na lembrança
sabores na memória
carinho no coração

carrego momentos na mala
carrego sentimento na alma
carrego saudade e canção

mostre seus dentes afiados
suas mãos duras
suas pernas fortes
seu casco de jacaré
mostre quem você é
dentro do seu mundo
e para o mundo lá fora

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por Cintia Machado, 16/12/16
Filho da Terra

os caminhos são incertos
os momentos são eternos
a vida um encontro

esbarrei nos seus passos cansados
viajante que segue apressado

você que é filho da terra
amigo íntimo da natureza

quem caminha com um violão nas costas
quem segue com passos firmes
olhar seguro
sorriso devassador

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por Cintia Machado, 01/12/16
Espanto

Tenho cantado canções
que não são minhas
que agradam outros
e que ferem o interior

Tenho caminhado
com pés exaustos
que se arrastam como
bichos rastejantes
Pés descalços

Tenho imitado tantas
vozes, renegando a
melodia que envolve
Que acolhe

Tenho copiado
artistas de rua
meninos que não
são aplaudidos

Tenho escrito versos
que não são lidos
palavras que não rimam

Tais espetáculos duram
apenas um farol
antes de se tornarem
lembranças perdidas
Esquecidas


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